Infelizmente, além dos infortúnios que a calopsita passa ao escapar da gaiola por negligência do seu dono, ainda continua sendo costumeiramente acometida pelas consequência de acidentes domésticos. Geralmente o alvo são as calopsitas domesticadas que, principalmente, vivem soltas pela casa, com asas aparadas ou não.
A calopsita tem, por natureza, comportamento desconfiado e se assusta facilmente com um barulho inesperado, um movimento brusco, voando em direção ao que considera mais seguro, ou muitas vezes sem direção, e aquelas que principalmente nao têm um ponto de sustentação (asas mal aparadas) ou não tem habilidade para voar e desviar de objetos, acabam caindo dentro de uma panela com água, óleo, um balde com água sanitária, etc.
Decidimos inserir algumas fotos relacionadas a esses acidentes domésticos mais comuns não com o objetivo de chocar, mas elegemos esta maneira para alertar as pessoas (de forma visual), para saberem que existem exemplos que podem contar sua própria história.
Fotos referentes à acidentes domésticos com a ave (obtidas e publicadas com autorização de seus proprietários)

(calopsita caiu em água quente (quase não sobraram dedos e unhas)
Levar imediatamente a um Veterinário
(calopsita caiu em água quente, afetando os dois olhos)
fotos cedidas por Márcia Santos (São Carlos/SP)
ÓLEO FRIO
ÓLEO QUENTE
Levar imediatamente a um Veterinário
TORÇÃO DAS PATAS
Um dos acidentes domésticos infelizmente comum de acontecer é a torção da pata. Isso geralmente ocorre quando a calopsita tem a asa mal cortada, ou apenas uma asa cortada (perde o equilíbrio) e num momento de susto, perda de equilíbrio, a ave acaba caindo, e dependendo de como for a queda, uma das consequências é a torção do pé.
Isso também pode ocorrer com filhote novinho que ainda não tem um bom equilíbrio e é colocado em gaiola com a grade de chão, propiciando pisar em falso e acabar com torção da patinha.
Quando ocorre torção, fratura ou corte, o pássaro evita a todo custo apoiar a pata machucada no chão e andam mancando, porque sente dor, independentemente da gravidade. Nesse caso, a ave costuma ficar bem amuada, e a recuperação pode levar alguns dias. A calopsita ficará mancando e, para ajudá-la na recuperação, recomendamos :
1) abaixar os poleiros (para permitir que a ave consiga, tenha mais facilidade, em subir no mesmo);
2) retirar a grade do chão da gaiola (se houver, claro), deixando a ave pisar diretamente no fundo da gaiola;
3) deixar o alimento e água bem à mostra;
4) evitar situações que permitam que a ave caia novamente e venha a piorar o quadro clínico (andar com a ave no ombro, evitar que a ave se assuste, etc.);
5) pomada de arnica sobre o local, camada bem fina, como medida de emergência imediata.
6) pode oferecer Arnica Montana 12CH glóbulos (encontra apenas em farmácias homeopáticas), 3 (bebedouro pequeno) a 5 glóbulos (bebedouro grande), não usar o produto em gotas porque a diluição é feita em álcool e as aves não bebem, caso a ave esteja bem sentindo muita dor (a ave fica amuada, sem querer se mexer muito) pode diluir uma gota de dipirona em uma colher de sopa de água, e dessa mistura oferecer ao pássaro de uma a duas gotinhas no bico, de 6 em 6 horas.
obs.: é importante o veterinário avaliar o pássaro para saber se é apenas torção ou pode ser uma fratura, pois neste caso existe a necessidade de colocar uma tala
o pássaro não consegue firmar-se envolvendo os dedos no poleiro
FRATURA DAS PATAS
A fratura não é um acidente comum de ocorrer, e fica a dúvida se o pássaro apenas torceu o membro ou houve fratura. Somente um veterinário consegue avaliar se ocorreu fratura, muitas vezes através de raio-X.
O procedimento é verificar se o pássaro consegue mexer os dedos, mesmo que só um pouco, pois em caso positivo as chances de não ter havido fratura aumentam.
Se você perceber que a ave sente muita dor (fica arrepiada, amuada, sem querer se mexer muito) pode ser misturada uma gota de dipirona em uma colher de sopa de água, e dar de uma a duas gotas no bico de 6 em 6 horas.
Leve sua calopsita a um veterinário para avaliação, pois quando ocorre fratura é necessário reposicionar o osso e utilizar tala antes que o osso comece a cicatrizar.
MACHUCADOS NA REGIÃO DO PEITO
Esse tipo de machucado no peito da ave invariavelmente é resultado de asas cujas penas foram aparadas de forma incorreta (todas as remiges, que são as penas longas e duras nas asas que servem para dar força no vôo e direção).
imagem cedida por Vitor Becaro
O corte deve ser devidamente tratado, inicialmente limpando a região com soro fisiológico (temperatura ambiente) e aplicando rifocina. Para isso é necessário retirar as penas ao retor da região, para que as mesmas não se juntem à região cicatrizada, tendo depois de ser tratada, conforme figura a seguir. Não é adequado usar pomada em região onde há penas, mas dependendo do caso, uma pomada cicatrizante pode auxiliar desde que passada uma camada muito fina e longe das penas ao redor. O ideal seria um veterinário ou um criador experiente para tratar do machucado de forma apropriada.
Há casos, quando o corte é significativo, que é necessário a suturação. Além disso, a forma de pegar a ave é importante, para que a calopsita se estresse o menos possível, e o tratamento seja feito de forma rápida.
Fotos cedidas por Gisele Dll
trauma no papo com exposição do alimento ingerido.
MACHUCADOS NAS ASAS
A calopsita é um ave que se assusta facilmente, por sua própria natureza. Quando isso ocorre, a ave pode se debater na gaiola, ou se estiver fora dela, bater contra a parede, vidro da janela, etc., dessa forma vindo a machucar partes de seu corpo. Isso pode ocorrer tanto em aves mansas ou não.
Geralmente são as asas que são as mais atingidas. Quando há penas em crescimento nas asas, esses canhões acabam se quebrando e sangram. A calopsita com asa aparada é a mais susceptivel, isso porque quando nasce uma pena nova no meio de penas cortadas, quebrá-la é muito fácil.
Em situações que o sangue não pára imediatamente por si só, é necessário estancá-lo comprimindo a região com um algodão seco ou gase. Quando a ave está machucada, mesmo assim ela ainda pode continuar a se debater dentro da gaiola querendo fugir de nosso contato, portanto, é importante mensurar se vale a pena realmente a pena pegá-la nesse momento ou aguardar até o estresse diminuir e ficar mais calma, principalmente se tratando de ave arisca. Temos que pensar que quanto mais rápido a calopsita voltar ao seu comportamento normal (alimentar-se, movimentar-se na gaiola) mais rápido também é sua recuperação.
Quando for pouco sangue e o machucado superficial, limpe a região com algodão umedecido em água morna ou soro fisiológico), deixe secar e passe um antisséptico para não infeccionar.
Com o objetivo de minimizar essas ocorrências, orientamos evitar situações que a ave possa vir a se assustar, como por exemplo : animais por perto, movimentos rápidos, gritos, uso de chapéu e óculos escuros, etc. Mantenha a gaiola com o mínimo de poleiros e brinquedos, para evitar que a ave machuque.
Se o pássaro estiver com as asas aparadas de forma errada, com certeza as chances de vir a cair e, consequentemente, a se machucar, são enormes. Portanto, evite situações que propiciem a queda de sua calopsita, por exemplo, andar com a ave no ombro, deixá-la numa gaiola que esteja alta em relação ao chão, não deixar a ave sozinha sem supervisão, etc.
FRATURA NAS ASAS
Acidente infelizmente comum de ocorrer, principalmente dentro da gaiola (a ave prende a asa entre as grades).
Para uma melhor avaliação, é necessário realizar raio X do membro. A formação do calo ósseo depende do local da fratura na asa e o estado das pontas do osso quebrado. Dependendo do caso, uma simples imobilização pode resolver o problema, mas muitas vezes torna-se necessário cirurgia para a colocação de pino ou fixador externo.
Caso nada seja feito, ou se for adotada a técnica errada, ou se o procedimento for feito de modo incorreto, a asa ficará caída e impedirá da ave voar plenamente.
TRAUMAS
imagem cedida por Denilson
Traumas podem ocorrer como resultado de perfuração, esmagamento, fraturas ou batidas.
Estas lesões podem variar em gravidade desde a perda da ponta do bico como o bico inteiro. É um assunto sério e deve ser considerado uma emergência.
No interior do bico existe uma abundante irrigação sanguínea, tornando-o susceptível a sangramento excessivo. E como existem terminações nervosas, isso faz com que uma lesão nesse local seja dolorosa. Dependendo de quanto o bico for fraturado, não irá crescer novamente.
Quando apenas é quebrada a ponta do bico não há consequência nenhuma, desde que não atinja o osso e voltará a crescer com o tempo. Se não infeccionar, o osso cicatriza, e na grande maioria dos casos o bico cresce. Demora um pouco para a ave voltar a usar o bico normalmente, afinal, é uma fratura. Entretanto, se atingir o osso (percebe-se um buraco avermelhado), mesmo que seja só uma pequena parte, dói, inflama e pode infeccionar, daí tem que ser tratado como fratura de bico. Uma fratura pode ser reparada se existir vascularização.
Seria adequado levar a ave imediatamente a um veterinário para verificar se o osso foi realmente afetado ou não e tratar de forma adequada, a arnica vai ajudar bastante no controle de uma infecção.
Atendimento imediato: estancar o sangramento aplicando pressão sobre o local lesionado. Leve imediatamente a ave a um veterinário, se não for possível não espere mais do que 24 horas. Se a lesão for grave e os tecidos internos estiverem à mostra, os mesmos podem começar a secar, daí a urgência. A ferida pode ser lavada com a mesma solução utilizada para lentes de contato, o objetivo é lavar o local e ajudar a manter o tecido úmido até que o pássaro possa ser avaliado pelo veterinário.
Sendo uma pequena lesão, o veterinário possivelmente irá fazer uma limpeza antisséptica do local, e administrar medicação contra dor e infecção.
O pássaro precisará ser alimentado durante a fase de crescimento do bico, ou para o resto de sua vida, com alimentos pastosos (papinha industrializada, podendo ser dado arroz cozido sem tempero), dependendo da gravidade da lesão.
Por isso, recomendamos todo o cuidado com seu pássaro, evitando deixá-lo se machucar, seja por queda, batida, quanto a proximidade com outras aves e animais.
A seguir, fratura do bico inferior.
A seguir, a mandíbula inferior fraturou, o que impede de a ave se alimentar mesmo com o bico intacto:
Foto cedida por Elaine Custódio - São Bernardo do Campo/SP
FÍSTULA NO PAPO
A função principal do papo é armazenar o alimento. Quando o papo está cheio de alimento, fica pesado, projetando-se à frente, que pode ser lesionado em decorrência de algum trauma do órgão.
Machucados decorrentes :
1) de agressões (outro pássaro),
2) queda (ave com asas aparadas de forma errada),
3) manejo incorreto ao alimentar um filhote no bico, visto que o papo é um órgão frágil principalmente neste início de vida :
3.a ) alimento (papa) fornecido em temperatura quente (nunca usar o microondas para esquentar a papinha, pois o alimento não alcancará a temperatura uniforme, gerando áreas excessivamente mais quente do que outras.
3.b ) uso de sonda, de forma incorreta, para alimentar o filhote, pois se o alimento pode escapar do papo ou do esôfago e ir para baixo da pele, criando um abcesso.
imagens cedidas gentilmente por Ana Danusa
A seguir, outro caso de ingestão de metal pesado (imagem tirada de perfil)
A seguir, ingestão de fios de sisal, que acabou bloqueando o papo, levando ao emagracimento e à morte da ave. É muito importante estarmos sempre atentos às calopsitas quando soltas, pois costumam roer o que vêem pela frente. Importante também é não colocar nenhum brinquedo que tenha corda de sisal ou materiais inadequados.
imagem cedida pelo Dr. André Maia - RJ