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Infelizmente, além dos infortúnios que a calopsita passa ao escapar da gaiola por negligência do seu dono, ainda continua sendo costumeiramente acometida pelas consequência de acidentes domésticos.  Geralmente o alvo são as calopsitas domesticadas que, principalmente, vivem soltas pela casa,  com asas aparadas ou não.

A calopsita tem, por natureza, comportamento desconfiado e se assusta facilmente com um barulho inesperado, um movimento brusco, voando em direção ao que considera mais seguro, ou muitas vezes sem direção, e aquelas que principalmente nao têm um ponto de sustentação (asas mal aparadas) ou não tem habilidade para voar e desviar de objetos,   acabam caindo dentro de uma panela com água, óleo, um balde com água sanitária, etc.

Decidimos inserir algumas fotos relacionadas a esses acidentes domésticos mais comuns não com o objetivo de chocar, mas elegemos esta maneira para alertar as pessoas (de forma visual), para saberem que existem exemplos que podem contar sua própria história.
 

 Fotos referentes à acidentes domésticos com a ave (obtidas e publicadas com autorização de seus proprietários)


MACHUCADOS NAS PATAS


Infelizmente, as calopsitas domesticadas têm sido vítimas dos mais variados acidentes domésticos, dentre eles machucados nas patas, dedos e unhas.







ÁGUA QUENTE

(calopsita caiu em água quente (quase não sobraram dedos e unhas)

Levar imediatamente a um Veterinário

 

(calopsita caiu em água quente, afetando os dois olhos)


fotos cedidas por Márcia Santos (São Carlos/SP)



ÓLEO FRIO

Em caso de acidente doméstico que o pássaro cai em recepiente com óleo frio,  o ideal é lavar  com água morna (acrescentar um pouco de vinagre) e detergente neutro (esses de cozinha).  Precisa paciência : comece pelo peito, porque é o local que mais afeta a ave e o mais difícil de limpar. Não se preocupe em tirar tudo, só tente tirar o excesso. Ela faz o resto.  Seque inicialmente com um toalha, finalizando com papel higiênico.  Secador somente deve ser usado em sinal de estresse.  Volte a ave à gaiola, mantendo-a sob aquecimento na lâmpada (de preferência vermelha) de 40w), deixando a ave sozinha, em recuperação.

O óleo nas penas por si só não causa muitos problemas. O problema é o óleo ser ingerido e causar diarréia, ou as peninhas estarem tão coladas com óleo que dificultem manter a ave aquecida. Use secador, de longe, na temperatura morna.

Normalmente o óleo não sai por completo. A ave vai se limpar ao longo de dias até conseguir tirar tudo. 
 
Os riscos que podem levar a ave à morte numa situação dessas são o estresse, hipotermia e hipoglicemia.  Geralmente consegue-se controlar a hipotermia mantendo a ave aquecida, e a hipoglicemia alimentando-a.  Mas o estresse por si só é suficiente para matar a ave.


 

 ÓLEO QUENTE

Levar imediatamente a um Veterinário
 











 

TORÇÃO DAS PATAS

Um dos acidentes domésticos infelizmente comum de acontecer é a torção da pata.  Isso geralmente ocorre quando a calopsita tem a asa mal cortada, ou apenas uma asa cortada (perde o equilíbrio) e num momento de susto, perda de equilíbrio, a ave acaba caindo, e dependendo de como for a queda, uma das consequências é a torção do pé. 

Isso também pode ocorrer com filhote novinho que ainda não tem um bom equilíbrio e é colocado em gaiola com a grade de chão, propiciando pisar em falso e acabar com torção da patinha. 

Quando ocorre torção, fratura ou corte, o pássaro evita a todo custo apoiar a pata machucada no chão e andam mancando, porque sente dor, independentemente da gravidade.  Nesse caso, a ave costuma ficar bem amuada, e a recuperação pode levar alguns dias.  A calopsita ficará mancando e, para ajudá-la na recuperação, recomendamos : 

1) abaixar os poleiros (para permitir que a ave consiga, tenha mais facilidade, em subir no mesmo);
2) retirar a grade do chão da gaiola (se houver, claro), deixando a ave pisar diretamente no fundo da gaiola;
3) deixar o alimento e água bem à mostra;
4) evitar situações que permitam que a ave caia novamente e venha a piorar o quadro clínico (andar com a ave no ombro, evitar que a ave se assuste, etc.);
5) pomada de arnica sobre o local, camada bem fina, como medida de emergência imediata.
6) pode oferecer Arnica Montana 12CH glóbulos (encontra apenas em farmácias homeopáticas), 3 (bebedouro pequeno) a 5 glóbulos (bebedouro grande), não usar o produto em gotas porque a diluição é feita em álcool e as aves não bebem, caso a ave esteja bem sentindo muita dor (a ave fica amuada, sem querer se mexer muito) pode diluir uma gota de dipirona em uma colher de sopa de água, e dessa mistura oferecer ao pássaro de uma a duas gotinhas no bico, de 6 em 6 horas.
 

obs.: é importante o veterinário avaliar o pássaro para saber se é apenas torção ou pode ser uma fratura, pois neste caso existe a necessidade de colocar uma tala




 o pássaro não consegue firmar-se envolvendo os dedos no poleiro

 foto de : Natália Freitas  

 

FRATURA DAS PATAS


A fratura não é um acidente comum de ocorrer, e fica a dúvida se o pássaro apenas torceu o membro ou houve fratura.  Somente um veterinário consegue avaliar se ocorreu fratura, muitas vezes através de raio-X.

O procedimento é verificar se o pássaro consegue mexer os dedos, mesmo que só um pouco, pois em caso positivo as chances de não ter havido fratura aumentam.

Se você perceber que a ave sente muita dor (fica arrepiada, amuada, sem querer se mexer muito) pode ser misturada uma gota de dipirona em uma colher de sopa de água, e dar de uma a duas gotas no bico de 6 em 6 horas.

Leve sua calopsita a um veterinário para avaliação, pois quando ocorre fratura é necessário reposicionar o osso e utilizar tala antes que o osso comece a cicatrizar. 



 

 

 

 

 

 MACHUCADOS NA REGIÃO DO PEITO

 

 

 

Esse tipo de machucado no peito da ave invariavelmente é resultado de asas cujas penas foram aparadas de forma incorreta (todas as remiges, que são as penas longas e duras nas asas que servem para dar força no vôo e direção).  

Quando a ave se assusta, num instinto natural quer sair voando, mas só consegue saltar e o consequente tombo batendo o peito no chão é inevitável. 
 
O melhor é levar a ave a um veterinário o mais rápido possível.  Na impossibilidade, pode ser feita uma limpeza no local do ferimento com soro fisiológico, líquido de Dakin ou anti-séptico Johnson Johnson.  mas esse procedimento somente deve ser feito se a pessoa se sentir à vontade, para não estressar a ave.  
 
Em aves, sempre procuramos evitar ministrar pomadas nas regiões do corpo onde há penas, pois o uso contínuo destas, pode dificultar o desenvolvimento das novas penas (o maior problema normalmente é o entupimento dos folículos - orifícios na pele por onde aflorará o canutilho, ou seja, a nova peninha). 
 
Acomode a ave numa gaiola tipo argentina (gaiola tradicional para a criação de canários) com apenas um poleiro no meio e numa altura que evite a crista ficar raspando na grade do teto. De início a ave talvez fique um pouco agitada), mas com certeza irá se acalmar.  
 
Obrigatoriamente a ave terá que ficar nessa gaiola por pelo menos 5 a 7 dias "SEM SAIR", para a cicatrização completa (nas aves o processo de cicatrização é mais rápido). 
 
Na maioria das vezes é necessário usar o colar elizabethano, para evitar que a ave fique bicando a região, piorando ainda mais o ferimento, impedindo a cicatrização.  O uso do colar só deve ser adotado em casos de real necessidade, porque estressa a ave pela restrição de certos movimentos, como por exemplo, limpar as penas.
 
Após esse período, alguns cuidados terão que ser tomados para evitar que a ave se fira novamente !!! Por exemplo: quando estiver com sua calopsita, brinque mas não numa altura superior a um metro, mais ou menos do chão, pois no entusiasmo, fatalmente ela irá pular novamente.   Este cuidado vai levar uns dois ou três meses, até que as penas das asas cresçam um pouco e ela tenha condições de "pousar" e não a de "chegar" no chão. 

 

 imagem cedida por Vitor Becaro




O corte deve ser devidamente tratado, inicialmente limpando a região com soro fisiológico (temperatura ambiente) e aplicando rifocina.  Para isso é necessário retirar as penas ao retor da região, para que as mesmas não se juntem à região cicatrizada, tendo depois de ser tratada, conforme figura a seguir.   Não é adequado usar pomada em região onde há penas, mas dependendo do caso, uma pomada cicatrizante pode auxiliar desde que passada uma camada muito fina e longe das penas ao redor.  O ideal seria um veterinário ou um criador experiente para tratar do machucado de forma apropriada. 

Há casos, quando o corte é significativo, que é necessário a suturação.  Além disso, a forma de pegar a ave é importante, para que a calopsita se estresse o menos possível, e o tratamento seja feito de forma rápida.

 

 

 

 

 

 

 

  


 
 

 

 

 

 

 

 




 

 

 

 

 

 
Fotos cedidas por Gisele Dll


  

trauma no papo com exposição do alimento ingerido.
 

 

MACHUCADOS NAS ASAS


A calopsita é um ave que se assusta facilmente, por sua própria natureza.  Quando isso ocorre, a ave pode se debater na gaiola, ou se estiver  fora dela, bater contra a parede, vidro da janela, etc., dessa forma vindo a machucar partes de seu corpo. Isso pode ocorrer tanto em aves mansas ou não.

Geralmente são as asas que são as mais atingidas.  Quando há penas em crescimento nas asas, esses canhões acabam se quebrando e sangram. A calopsita com asa aparada é a mais susceptivel, isso porque quando nasce uma pena nova no meio de penas cortadas, quebrá-la é muito fácil. 

Em situações que o sangue não pára imediatamente por si só, é necessário estancá-lo comprimindo a região com um algodão seco ou gase.  Quando a ave está machucada, mesmo assim ela ainda pode continuar a se debater dentro da gaiola querendo fugir de nosso contato, portanto, é importante mensurar se vale a pena realmente a pena pegá-la nesse momento ou aguardar até o estresse diminuir e ficar mais calma, principalmente se tratando de ave arisca.  Temos que pensar que quanto mais rápido a calopsita voltar ao seu comportamento normal (alimentar-se, movimentar-se na gaiola) mais rápido também é sua recuperação.

Quando for pouco sangue e o machucado superficial, limpe a região com algodão umedecido em água morna ou soro fisiológico), deixe secar  e passe um antisséptico para não infeccionar.

Depois de alguns dias, é adequado verificar se há canhão inflamado (com sangue no seu interior) pois a ave fica incomodada, bicando a asa com frequência, porque sente dor), nesse caso deve se arrancado e o folículo (a região da pele de onde sai o canhão), que provavelmente também está inflamado, deve ser tratado com medicamento adequado (costuma-se usar pomada cicatrizante).  Só devemos arrancar os que estiverem inflamados e incomodando a ave

 
Remover penas das asas sempre vem acompanhado de sangramento. Por isso, é sempre bom envolver (imobilizando) a ave com uma toalha, deixando somente a asa descoberta e, com o auxílio de uma pinça, puxar a pena de uma única vez, deixando ao lado pedaços de algodão para pressionar levemente por alguns instantes a região e ajudar na limpeza do local.
 
Indicamos a você levar a ave a um veterinário para melhor avaliação da região machucada.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 
 
 
 
 
 
 
 
 

Com o objetivo de minimizar essas ocorrências, orientamos evitar situações que a ave possa vir a se assustar, como por exemplo : animais por perto, movimentos rápidos, gritos, uso de chapéu e óculos escuros, etc.  Mantenha a gaiola com o mínimo de poleiros e brinquedos, para evitar que a ave machuque.

Se o pássaro estiver com as asas aparadas de forma errada, com certeza as chances de vir a cair e, consequentemente, a se machucar, são enormes.  Portanto, evite situações que propiciem a queda de sua calopsita, por exemplo, andar com a ave no ombro, deixá-la numa gaiola que esteja alta em relação ao chão, não deixar a ave sozinha sem supervisão, etc.


 

FRATURA NAS ASAS

Acidente infelizmente comum de ocorrer, principalmente dentro da gaiola (a ave prende a asa entre as grades).

Para uma melhor avaliação, é necessário realizar raio X do membro.  A formação do calo ósseo  depende do local da fratura na asa e o estado das pontas do osso quebrado.  Dependendo do caso, uma simples imobilização pode resolver o problema, mas muitas vezes torna-se necessário cirurgia para a colocação de pino ou fixador externo.

Caso nada seja feito, ou se for adotada a técnica errada, ou se o procedimento for feito de modo incorreto, a asa ficará caída e impedirá da ave voar plenamente.

 

TRAUMAS

 

imagem cedida por Denilson




Traumas podem ocorrer como resultado de perfuração, esmagamento, fraturas ou batidas.

Estas lesões podem variar em gravidade desde a perda da ponta do bico como o bico inteiro. É um assunto sério e deve ser considerado uma emergência.

No interior do bico existe uma abundante irrigação sanguínea, tornando-o susceptível a sangramento excessivo. E como existem terminações nervosas, isso faz com que uma lesão nesse local seja dolorosa.  Dependendo de quanto o bico for fraturado, não irá crescer novamente.

Quando apenas é quebrada a ponta do bico não há consequência nenhuma, desde que não atinja o osso e voltará a crescer com o tempo. Se não infeccionar, o osso cicatriza, e na grande maioria dos casos o bico cresce. Demora um pouco para a ave voltar a usar o bico normalmente, afinal, é uma fratura. Entretanto,  se atingir o osso (percebe-se um buraco avermelhado), mesmo que seja só uma pequena parte, dói, inflama e pode infeccionar, daí tem que ser tratado como fratura de bico.  Uma fratura pode ser reparada se existir vascularização.

Seria adequado levar a ave imediatamente a um veterinário para verificar se o osso foi realmente afetado ou não e tratar de forma adequada,
a arnica vai ajudar bastante no controle de uma infecção.

Atendimento imediato: estancar o sangramento aplicando pressão sobre o local lesionado. Leve imediatamente a ave a um veterinário, se não for possível não espere mais do que 24 horas.  Se a lesão for grave e os tecidos internos estiverem à mostra, os mesmos podem começar a secar, daí a urgência. A ferida pode ser lavada com a mesma solução utilizada para lentes de contato, o objetivo é lavar o local e ajudar a manter o tecido úmido até que o pássaro possa ser avaliado pelo veterinário. 


Sendo uma pequena lesão, o veterinário possivelmente irá fazer uma limpeza antisséptica do local, e administrar medicação contra dor e infecção.

O pássaro precisará ser alimentado durante a fase de crescimento do bico, ou para o resto de sua vida, com alimentos pastosos (papinha industrializada, podendo ser dado arroz cozido sem tempero), dependendo da gravidade da lesão.


Por isso, recomendamos todo o cuidado com seu pássaro, evitando deixá-lo se machucar, seja por queda, batida, quanto a proximidade com outras aves e animais.

A seguir, fratura do bico inferior.  


 






A seguir, a mandíbula inferior fraturou, o que impede de a ave se alimentar mesmo com o bico intacto:



Foto cedida por Elaine Custódio - São Bernardo do Campo/SP




FÍSTULA NO PAPO


A função principal do papo é armazenar o alimento.  Quando o papo está cheio de alimento, fica pesado, projetando-se à frente, que pode ser lesionado em decorrência de algum trauma do órgão.


Machucados decorrentes :

1) de agressões (outro pássaro),

2) queda (ave com asas aparadas de forma errada), 

3) manejo incorreto ao alimentar um filhote no bico, visto que o papo é um órgão frágil principalmente neste início de vida : 

    3.a ) alimento (papa) fornecido em temperatura quente (nunca usar o microondas para esquentar a papinha, pois o alimento não alcancará a temperatura uniforme, gerando áreas excessivamente mais quente do que outras. 
    3.b ) uso de sonda, de forma incorreta,  para alimentar o filhote, pois se o alimento pode escapar do papo ou do esôfago e ir para baixo da pele,  criando um abcesso.



 

INGESTÃO DE OBJETOS ESTRANHOS

 
Sempre é bom relembrar algumas regras para quem tem calopsita e que fica livre andando pela casa.
 
A ave pode bicar algo tóxico (plantas venenosas), ingerir materiais que encontrar, e em muitos casos pode ser fatal.
 
Mais uma vez alertamos a todos que precisamos ficar atentos 100% do tempo quando a ave estiver solta pela casa, e isso implica dispor do tempo apenas para ela, e dessa forma evitarmos os acidentes domésticos.  
 
 
 

imagens cedidas gentilmente por Ana Danusa

 

A seguir, outro caso de ingestão de metal pesado (imagem tirada de perfil)

 



A seguir,  ingestão de fios de sisal, que acabou bloqueando o papo, levando ao emagracimento e à morte da ave. 
É muito importante estarmos sempre atentos às calopsitas quando soltas, pois costumam roer o que vêem pela frente. Importante também é não colocar nenhum brinquedo que tenha corda de sisal ou materiais inadequados.
 

imagem cedida pelo Dr. André Maia - RJ

 

 



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