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Esta calopsita nasceu normal, mas foi acometida, ao longo do tempo e de forma lenta, de gota úrica, que se manifesta através de inchaço e deformidade na região dos pés.  Esta doença causa dor na ave, que tem dificuldade para se locomover.  Mas quais seriam as possíveis causas para esse acometimento?
 
Seguem abaixo trechos de um artigo escrito pelo veterinário Dr. André Grespan :
 
"Vários fatores levam uma ave a desenvolver problemas renais. Infecções bacterianas, fúngicas, virais, toxinas, problemas congênitos e / ou hereditários. Nota-se em especial que certas mutações de calopsitas têm maior predisposição a desenvolver a gota úrica (uma manifestação clinica de problema renal). É possível que haja defeitos de metabolismo ou função renal sendo perpetuados em algumas linhagens".
 
"Em geral, os problemas renais em aves podem passar despercebidos, sem sinais clínicos, culminando em morte súbita, principalmente quando a dieta é pobre em proteínas e minerais, como é o caso das misturas de sementes em geral, pobre em proteínas e minerais (ponto chave de deficiência).
"Aves que consomem uma dieta processada têm maior probabilidade de mostrar sinais clínicos de doença renal quando comparadas com aves alimentadas com misturas de sementes. Veja que, a dieta processada não causa a doença renal, mas a doença renal pode tornar-se óbvia com a mesma.

É importante entender que, doenças renais sem sinais clínicos caminham de maneira progressiva, até que, quando se manifestam é tarde demais para qualquer solução, culminando no óbito do animal.

Neste caso, a vantagem da dieta processada, é que, ao demonstrar sinais clínicos de forma “prematura”, possibilita o diagnóstico e a adoção do tratamento no início da doença, o que favorece a sobrevida da ave.

Outro equívoco é sobre a quantidade de proteínas, que sabidamente é maior nas rações processadas. Não existem estudos, até o momento, que comprovem a correlação de alta proteína com problemas renais em psitacídeos. Estudos conduzidos por Tom Roudybush da UC Davis demonstraram que um grupo de calopsitas alimentadas com 35% de proteína não apresentou qualquer dano renal.

A quantidade de proteína nas rações nacionais e importadas para psitacídeos não passa de 25% (mesmo em rações para filhotes ou reprodução), sendo contra qualquer lógica ou bom senso acreditar que a quantidade de proteína exigida para o crescimento / reprodução utilizada chegue ao ponto de ser prejudicial).

Todas as informações disponíveis sobre as espécies de animais, incluindo o homem, sugerem que existe uma ampla margem de segurança entre a quantidade de proteína na dieta em relação à função renal. O receio sobre a quantidade de proteína provavelmente decorre do fato de que os rins têm dificuldade para processar os resíduos metabólicos das proteínas.

Porém, aqui sim se encaixa um dado importante, a qualidade da proteína. Há vários tipos de proteína, que podem ser utilizadas quando se fabrica uma ração, desde obtida de farinhada de carne até de penas. A composição dos aminoácidos que forma a proteína é importante. Quando são de baixa qualidade, formam mais resíduos metabólicos prejudiciais aos rins.

É um dos motivos pelo qual rações com a mesma porcentagem de proteínas possuem preço e qualidade diferenciados. Todas as rações podem ter a mesma porcentagem de proteína na sua formulação, mas a qualidade é o mais importante. Proteína de boa qualidade custa caro.

Cabe ressaltar outros nutrientes importantes nos processos renais, que têm menores margens de segurança e devem ser utilizados na dieta com mais cuidado: são eles o cálcio, a vitamina A e a vitamina D3.

Vários trabalhos científicos mostram que aves alimentadas com excesso de cálcio, fora da época de postura ou crescimento, podem desenvolver doenças renais. É conhecido que níveis de cálcio superiores a 1,2% pode causar doença renal em frangos fora da postura.

Assim sendo, as rações processadas para aves reprodutoras ou em fase de crescimento devem ter níveis de cálcio entre 0,9% e 1,1%, e as pedras de cálcio e minerais, osso de siba, farinha de casca de ovos e areias (grit) não devem ser oferecidos para além da dieta.

As calopsitas em especial, devido a sua origem (Austrália), estão acostumadas com uma dieta pobre em cálcio, que deve ficar próxima de 0,4% para evitar qualquer problema renal.

As vitaminas A e D3 são extremamente tóxicas para outras aves, e uma superdosagem tende a ser fatal. Nenhuma investigação foi ainda publicada sobre psitacídeos para determinar suas necessidades reais ou nível de toxicidade.

Devemos saber que a maioria das dietas desenvolvidas para psitacídeos são geralmente baseadas nas exigências nutricionais de aves de corte. E os níveis atuais das rações processadas estão dentro do que é considerado seguro para todas as espécies estudadas até o momento.

Não alimente suas aves com uma dieta deficiente, a fim de proteger as que podem ter um mau funcionamento renal subjacente. Além de não impedir que o problema ocorra, em geral isso acaba debilitando uma ave que tenha outras deficiências.

Nutriente Mistura de Sementes *

Gordura 17,7%
Cálcio 00,09%
Fósforo 0,51%
Cálcio/ Fósforo 0.18/1
Vitamina D3 0,0 UTI / kg
Vitamina A 0,0 UI / kg
Riboflavina 2 mg/kg
Niacina 33 mg/kg

* Partes iguais, girassol, cártamo, milheto, aveia e grumos. Lembre-se que, se uma ave come mais girassol, a porcentagem de gordura pode se elevar a 30% ou mais.
 
 
 
 
 
 
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O ÁCIDO ÚRICO E DOENÇAS RENAIS EM AVES

 

O conhecimento do metabolismo do ácido úrico é necessário para entender como ocorrem as diversas doenças a ele relacionadas e para possibilitar o tratamento adequado. Sabemos que as alterações dos níveis séricos (relativo ao sangue), do ácido úrico, para cima ou para baixo, causam complicações como a gota,insuficiência renal aguda e/ou crônica, cálculo renal, etc.

Ele é um ácido fraco, hidrosolúvel e sua forma ionizada, o urato monossódico, é encontrada no plasma do sangue, no líquido extra-celular e na sinóvia. A sinóvia é o líquido viscoso, que preenche as articulações, derivado do metabolismo das proteínas.

Quanto maior a quantidade de purinas na proteína do alimento ou do próprio metabolismo da ave, maior a produção de ácido úrico. Os rins são os responsáveis por eliminá-lo de forma eficiente, impedindo o seu acúmulo.

Os alimentos contêm diversas substâncias constituídas por moléculas como os açúcares (hidrato de carbono), gorduras (ácidos graxos) e proteínas (aminoácidos).

Por sua vez, os aminoácidos se decompõem em ácidos nucléicos, nucleotídeos e bases purínicas.

As purinas, presentes nas proteínas, sofrem um processo de degradação em hipoxantina e esta se transforma em xantina. Por sua vez, a xantina, por ação irreversível de uma enzima denominada de xantina oxidase, se transforma em ácido úrico e este em urato de sódio.

A maior parte dos uratos são produzidos no fígado, provenientes do desdobramento das proteínas (provenientes da alimentação e do metabolismo interno da ave). Vale ressaltar que a velocidade e a quantidade de ácido úrico formado a partir das purinas dependem da xantina oxidase: quanto maior for a quantidade desta enzima, maior a formação de ácido úrico. Em humanos há doenças congênitas, que alteram a produção da enzima e podem influir na quantidade de ácido úrico formado.

Existem muitas suspeitas sobre a possibilidade dessa ser uma doença genética e hereditária em aves, portanto é aconselhável evitar reproduzir aves com problemas renais.

As aves possuem a uricase, uma outra enzima que consegue oxidar o urato em alantoina, uma substância 80 a 100 vezes mais solúvel que o urato e que é facilmente excretada pelo rim. Isto permite que esses animais tenham níveis muito baixos de ácido úrico.

Os níveis normais de ácido úrico nas aves são muito próximos do limite de solubilidade, e pequenos aumentos na sua concentração causam precipitação deste nos tecidos.

Sabe-se que o ácido úrico é mais solúvel em temperaturas acima de 37ºC, portanto em casos de gota, fornecer aquecimento para a ave ajuda na recuperação.

Nas articulações dos pés das aves, a temperatura é mais baixa, o que favorece a deposição de cristais nestes locais. O ácido úrico precipita na forma de urato de sódio, causando muita dor e dificuldade de locomoção nos animais.

Resumindo: O ácido úrico fica dissolvido no sangue até níveis próximos do limite, quanto mais alta for sua concentração, maior é a chance de cristalização e deposição nos tecidos, com grande probabilidade de depósito nas articulações que são as regiões de menor temperatura e, conforme a quantidade no sangue se eleva, qualquer tecido pode ser acometido.

Nas aves, mesmo que por um curto período, a elevação do ácido úrico no sangue pode levar à formação dos depósitos (
gota úrica). Há relatos de que aves podem desenvolver a gota úrica após ficarem um período de tempo sem beber água.

Quando ocorre deposição de cristais de urato nas articulações, estes provocam uma intensa reação inflamatória, causando muita dor, e a ave passa a apresentar dificuldade em empoleirar e passa a ficar no chão da gaiola, evitando se movimentar.

Quando a gota se manifesta em aves, pode ser fatal. Porém, com o monitoramento da quantidade do acido úrico no sangue, é possível evitar a precipitação dos cristais de urato e a ave passa a ter uma chance de sobrevida muito maior.

Este é um dos motivos pelo qual as aves devem realizar o check-up anual.

A gota úrica crônica não tratada leva à formação de bolsas (tofos) com cristais de urato nas articulações, levando às deformidades. Esta fase em humanos é chamada de gota tofácea e também ocorre em aves em estágios avançados.

O excesso de ácido úrico também pode levar à formação de cálculos renais, deposição de urato e formação de “tofos” nos rins, causando insuficiência renal crônica.

Como já explicado, a gota é causada por níveis elevados de ácido úrico sanguíneo. Porém, nem toda ave que tem ácido úrico alto, chamado de hiperuricemia, desenvolve gota. Algumas aves podem mostrar níveis de ácido úrico elevados e nunca apresentam gota. No entanto, o acido úrico
elevado em conjunto com outras alterações na bioquímica sangüínea são fortes indicadores de doença renal. Esta, quando não tratada, pode evoluir para a gota ou óbito do animal sem nenhum sinal clinico.

Os fatores que podem elevar o acido úrico no sangue são:

 
  • Obesidade
  • Desidratação
  • Hipoglicemia
  • Cálculos renais
  • Diabetes (hiperglicemia)
  • Consumo de vitamina C
  • Consumo excessivo de cálcio, sódio e potássio
  • Alimento com desbalanço de cálcio/potássio
  • Carência de vitamina A
  • Excesso de vitamina A e/ou D3
  • Postura crônica de ovos
  • Ovo retido (Compressão física sobre os rins)
  • Neoplasias
  • Intoxicação por metal pesado (Chumbo/Zinco)
  • Toxinas bacterianas (Clostridium perfringens)
  • Disenteria por períodos prolongados
  • Longos períodos de jejum
  • Jejum hídrico
  • Hemorragias / Traumas
  • Clamidiose
  • Infecções bacterianas / fungicas
  • Doenças virais
  • Protozoários (Coccideas)
  • Grande ingestão de alimentos ricos em purina (rações, farinhas*)
  • Doenças congênitas e hereditárias
  • Exercícios extenuantes (Pânico noturno)
  • Antibióticos (doxiciclina, aminoglicosideos e derivados de sulfas)
    • Uso uso crônico de drogas que inibem a excreção de ácido úrico, antiinflamatórios e diuréticos.

* Existem rações e farinhadas que possuem camarões e artêmias em sua composição (Alimentos com alto teor de purinas)

O diagnóstico de problemas renais em aves é difícil de ser realizado; em geral é descoberto somente em casos avançados, ou em necropsia. Porém, alterações de comportamento, dificuldade de apoio, diarréias e consumo exagerado de água, associados a níveis elevados de ácido úrico são sugestivos de um problema renal. A melhor maneira de prevení-lo é com a realização de check-ups anuais para um melhor acompanhamento da função renal.

Entre as muitas funções do rim, salientam-se as seguintes:

 
  1. Responsável pela eliminação dos resíduos tóxicos produzidos pelo organismo (ácido úrico).
  2. Controla o volume dos líquidos, controlando a quantidade de água no corpo.
  3. Controle sobre os sais minerais, eliminando os seus excessos ou poupando-os nas situações de carência (Cálcio, potássio, sódio, etc).
  4. Influência sobre a pressão arterial e venosa a partir do controle do volume (líquidos) e dos sais.
  5.  
  1. O rim produz e secreta hormônios: a eritropoetina, a vitamina D e a renina.

A eritropoetina interfere na produção dos glóbulos vermelhos e a sua falta pode levar a uma anemia de difícil tratamento. A vitamina D, calciferol, controla a absorção intestinal de cálcio e a renina, com a aldosterona, controla o volume dos líquidos e a pressão arterial

Em geral, os
problemas renais não têm cura, mas podem ser muito bem controlados quando descobertos no início.

Durante a crise de gota o tratamento é feito com antiinflamatórios e, em alguns casos, com colchicina (muito tóxica).

O tratamento é focado na a diminuição do ácido úrico no sangue, e a droga mais usada com este objetivo é o
Alopurinol. Podem ser necessários alguns meses de tratamento até se atingir valores
desejáveis.

É importante ressaltar os riscos sobre o uso do Alopurinol durante as crises, que pode levar à piora do quadro. Existem relatos que o próprio Alopurinol leva à ocorrência de gota em algumas aves (gavião de cauda vermelha).

Com uma dieta correta e redução dos níveis de ácido úrico, a ave consegue viver livre das crises e impede progressão das lesões renais e das articulações. Consulte sempre o seu médico veterinário ao menor sinal de doença e realize periodicamente os check-ups em sua ave.


DICAS SOBRE ALIMENTOS:

 
  • Reduzir a quantidade de proteína ingerida (cortar farinhada)
  • Passar para dieta extrusada que é mais equilibrada em vitaminas e minerais.
  • Evitar consumo de cálcio (pedras, areia, grit)
  • Evitar consumo de sódio e potássio 
  • Estimular o consumo de líquido (papinha de filhotes bem diluída)

Alimentos com moderada quantidade de purinas:

* Leguminosas: feijão, grão-de-bico, ervilha, lentilha, aspargos, cogumelos, couve-flor, espinafre

Alimentos com baixo ou nenhum teor de purina:

* Batata, arroz branco, milho, mandioca, sagu, vegetais (couve, repolho, e agrião), frutos secos e frutas em natura

 

 



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