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 Calopsita é uma linda ave de origem australiana bastante difundida no mundo todo, inclusive aqui no Brasil já há bastante tempo! No seu habitat natural, costuma viver em regiões desérticas, chegando a viajar quilômetros de distância, em bandos,  a procura de alimento, próximo às águas dos rios. 

Predominantemente cinza na Natureza, ao longo do tempo foram surgindo variedades em sua coloração pelas mãos do Homem, o que chamamos de "mutações".

Realmente a Calopsita é muito especial! Seu jeito curioso e amigável, sua inteligência, deixam-nos encantados!  A facilidade em reproduzir sons, assobiar, imitar palavras,  e de ser domesticada,  faz com que, cada vez mais, pessoas busquem nesse pássaro um animal de estimação!  Veja a seguir algumas dicas de como melhor se relacionar com sua ave, e aprender um pouquinho a conhecê-la!

 

 

CARACTERÍSTICAS

 

 

 

Nome/Espécie :     Calopsita  (no Brasil)     
                            Caturra (em Portugal)
                            Cockatiel (na língua inglesa)
                            
Perruche calopsitte (na língua francesa)

                            Lorito de Copete (na Espanha)

Família : Cacatuidae

Ordem : Psittaciformes

Origem : Nativos da Austrália, aonde podem ser vistos na natureza, vivem em regiões áridas e semi-áridas do país.  Ave nômade, costuma voar em bandos acompanhando o ciclo das chuvas, em busca de alimentos. A reprodução ocorre no período das chuvas, pois a criação de filhotes fica ajustada à disponibilidade de grãos e frutos justamente nessa época.

Caracteristicas : A calopsita é um pássaro que vem conquistando cada vez mais as pessoas pelo seu jeito amigável e interativo, principalmente quando domesticado.  Apegam-se facilmente aos seus donos e os reconhecem de longe. Muito participativas e brincalhonas, são alegres e divertidas!  É considerada uma ave sociável, pois convivem bem com algumas espécies menores, desde que instalados em espaço adequado.

Tamanho : 30 cm (em média, quando adultos)

Peso  : 85-120 gramas

Longevidade : variável, dependendo se na natureza ou em cativeiro, podem chegar a 25 anos aproximadamente

Maturidade sexual : por volta dos 12 meses de vida

Reprodução : ano todo

Postura : 3 a 7 ovos (média)

Incubação : de 18 a 23 dias

Observação importante :


Pela legislação ambiental brasileira, a calopsita é considerada ave doméstica, conforme portaria nº 93 do Ibama.

Aves domésticas são aqueles que, através de processos tradicionais e sistematizados de manejo e melhoramento zootécnico, tornaram-se domésticos, possuindo características biológicas e comportamentais em estrita dependência do homem, podendo inclusive apresentar aparência diferente da espécie silvestre que os originou.  Portanto, a calopsita não é uma ave cuja criação, comércio e posse é controlado pelo IBAMA.

 

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JOHN GOULD

 

 

 


A calopsita, pássaro de origem australiana,  foi descrita pela primeira vez em livros em 1792, mas apenas no século XIX é que americanos e europeus a conheceram de perto.
 

Até então, a Austrália era um continente ainda não desbravado, que servia para colônias penais inglesas, e dentre os primeiros colonizadores estavam o ornitólogo e taxidermista inglês, John Gould e sua família.  Ele catalogou centenas de espécies naquela região, muitas ainda desconhecidas até então, e é a ele creditado ser a primeira pessoa a levar a calopsita para fora da Austrália,  contribuindo dessa forma para a divulgação da espécie.

Gould deu o nome à calopsita de "cacatua-papagaio". Naquela época, Jamrach, um dos mais sucedidos importadores de aves exóticas da Inglaterra, deu um nome diferente àquela ave de porte mediano com crista no alto da cabeça : "cockatiel" baseado na palavra holandesa "kakatielje" que significa cacatua. Na Austrália é conhecida como Quarrion (nome aborígene) ou Weero.
 

Em 1864, a calopsita já se tornara bem conhecida na Inglaterra como animal de estimação e em 1884, entre criadores europeus. 
 

A primeira mutação (arlequim) surgiu nos Estados Unidos, em 1951.  A mutação pérola apareceu inicialmente na Alemanha, em 1967.  Os canelas, na Bélgica em 1968, seguidos dos fulvos.
 


 

UM POUCO DE JOHN GOLD

* 1804   + 1881 - John Gould

 

John Gould é reconhecido como um dos mais importantes pesquisadores e ilustradores ornitológicos do século 19.  Nascido em 14 de setembro de 1804, na Inglaterra,  desde cedo já tinha predileção pela história natural, seu maior incentivo foi por intermédio de seu pai, jardineiro de Windsor, a quem o auxiliava.  Gould não possuia formação universitária, todo seu conhecimento foi obtido através de experiência e observação.
 

Em 1827, já muito envolvido com o estudo das aves e a taxidermia* (arte de embalsar animais para fins científicos), aceitou o convite para ser curador do Museu de Zoologia de Londres.  Seu trabalho permitiu-lhe estar em contato com naturalistas e ter acesso a descoberta de novas coleções de espécimes recém descobertas que eram enviadas ao Museu por colecionadores do mundo todo, muitas delas nunca vistas antes na Europa. 
 

No mesmo ano, casou com Elizabeth Coxen que se tornaria sua parceira na produção de uma longa série de monografias da história natural.  Juntos produziriam seu primeiro livro sobre as aves baseado em uma coleção de peles recebidas pelo Museu das colinas do Himalaia.  O livro foi publicado em volumes entre 1830 e 183 sob o título A Century of Birds Hitherto Unfigured from the Himalaya Mountains.

Elizabeth produzia uma grande parte dos desenhos de plantas, aves e mamíferos, enquanto Gold dedicava-se ao trabalho de observação  e elaboração dos rascunhos.  Esses desenhos eram posteriormente coloridos em processo litográfico. Gold era muito minucioso nas descrições dos espécimes e seus hábitos. Incapaz de encontrar uma editora para este primeiro livro, Gould publicaria por conta própria, não tão somente esta como as que viriam depois, tornando-se um empresário de sucesso.

 

* 1804  + 1841
 


Retrato de Elizabeth Gould pintado à óleo por artista desconhecido, depois de sua morte.

Ela está segurando em sua mão o exemplar de uma calopsita, seu animal de estimação, trazida de sua viagem à Austrália.
 

 


 (*) Taxidermia é a arte de montar ou reproduzir animais para exibição ou estudo. É a técnica de preservação da forma da pele, planos e tamanho dos animais (Hidasi Filho, J., 1976). É usada para a criação de coleção científica ou para fins de exposição, vem como uma importante ferramenta nesse processo conservacionistas, trazendo também uma alternativa de lazer e cultura para a sociedade e como principal objetivo, o resgate de espécimes descartados, reconstituindo suas características físicas e, às vezes, simulando seu habitat, o mais fielmente possível para que possam ser usados como ferramentas para educação ambiental ou como material didático.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Em busca de novas e diferentes espécimes de aves, Gould esteve em diversos continentes.  Em 1838, John Gould e sua esposa viajaram para Austrália num intenso trabalho que durou 2 anos. John incansavelmente explorou milhas de distância em direção ao interior do continente, e dois de seus assistentes perderam suas vidas nessa expedição. Este acervo litográfico, distribuído em 7 volumes, faz parte de BIRDS OF AUSTRALIA.

Página interna do volume I
Birds of Australia



































  

Aqui a descrição da calopsita, chamada por ele na época de cockatoo-parrakeet .




Sua coleção de placas retrata a história natural é considerada por muitos como o melhor trabalho de ilustração de aves. Durante sua carreira, John Gould produziu algo em torno de 3.000 peças (placas) em 49 volumes retratando as aves e mamíferos de todo o mundo.  Gould contou com a colaboração de outros artistas, principalmente após a morte de Elizabeth.  O célebre artista e humorista Edward Lear foi um deles, e é de sua autoria inclusive a produção de 150 peças. Gold também escreveu mais de 300 artigos científicos e identificou 377 espécies de aves. Das 745 estimadas espécies que vivem na Austrália, 44% delas foram identificadas por Gould.  A estimativa é a de que Gould descreveu entre 300 a 328 aves e 45 mamíferos do continente australiano.

A técnica aplicada para a produção dessas impressões (litografia) exigia um cuidadoso trabalho técnico e artístico.  Os esboços originais de Gould eram transferidos para pedra com o uso de lápis especiais ou giz.  Os desenhos eram imprimidos manualmente a partir das pedras, e a cada impressão eram coloridos à mão.  Como essas impressões eram muito caras na época, somente poucas centenas de pessoas ou instituições podiam adquirí-las, daí a razão de sua raridade. 
 

Gould morreu em 1881 deixando um legado inestimável de beleza e conhecimento científico.  Escolheu seu próprio epitáfio : "John Gould, o homem pássaro".

 

 



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